quinta-feira, 8 de março de 2007

CAPÍTULO 2: ATALHO PARA A ESCURIDÃO

CAPÍTULO 2: ATALHO PARA A ESCURIDÃO

(...) SINAL ENCONTRADO: EXPERIÊNCIA HERMANO, ESTRADA PRINCIPAL, VISUALIZAÇÃO EXTERNA: “Não entendo porque diabos, ninguém sinaliza. Tenho que parar de encher a cara e tomar mais café. To realmente precisando de uma boa noite de sono. Com todo esse borrão, é quase certo que eu caia do volante”. Hermano Jonas está furioso por não conseguir sair de um enorme congestionamento. A forte chuva dificulta sua visibilidade, sendo atrapalhado pelo vidro embaçado. Talvez se retirasse o carro da rodovia, cortando o caminho pelo acostamento, Hermano não desmaiaria no volante. Por sorte as buzinas dos carros de traz o acordam, fazendo com que continue dirigindo. “Parece que estou indo a lugar algum. O desgraçado do Christian foi logo escolher este fim de mundo para negociar. Este bairro é o pior dos labirintos”. Hermano vai se localizando pelos néons de bares e casas noturnas já freqüentadas por ele. Sempre quando chove, ou tem uma tempestade, acontecem tragédias fazendo um enorme estrago no cenário da cidade, motivo pelo qual foi formado tal engarrafamento. Durante o longo tempo de procura, Hermano se distrai com a freqüência do rádio, perdendo o foco na direção. As alucinações, que há muito tempo não se manifestava, voltam como um louco pesadelo. A estrada e tudo ao redor tornam-se uma escuridão quase que total. Mesmo os faróis do carro ligado e os néons ao lado, não servem para enxergar a estrada, os carros, ruas e prédios. Raios começam cair pela estrada, fazendo o carro correr em ziguezague. O forte vento que sopra contra o veículo, tem as vozes parecidas de fantasmas gritando por socorro. Fecha os olhos para sumir a alucinação. Neste breve momento se concentra na música do rádio. Voltam às lembranças de um passado lúcido. Volta à mente uma imagem de um jovem idealista, que foi se desgastando com o tempo. Repensa sobre sua vida e trajetória: “Aonde é que eu fui parar?”. No momento em que muda seu pensamento, o radio sai de sintonia, causando um som estridente ao ponto de estourar os tímpanos. Coloca as mãos nos ouvidos na tentativa de abafar o som, deixando livre o volante do carro. O veículo perde o controle e bate no muro de um beco, fazendo-o despertar do transe. Não sabe por quanto tempo o carro andou normalmente, muito menos faz idéia em que rua entrou. Apenas sabe que essa batida o conteve de entrar no mundo de alucinações.
Ao sair do veículo estraçalhado, tenta recuperar os sentidos. Sua audição continua afetada devido aos fortes ruídos do rádio. Procura saber onde está. Quando olha a placa no poste ao lado, escrito “Rua Matéria”, descobre que chegou aonde queria. “É exatamente como Christian falou, rua estreita e curta, fazendo bifurcação com oito ruas paralelas. Agora tenho que achar o bar, onde ele deve estar me esperando há tempo”. Hermano tenta andar, mas mal consegue ficar firme no chão, cambaleando para os dois lados. Vindo do meio da escuridão, surge um ser oferecendo ajuda. “Você está bem? Há maneiras mais fáceis de chegar a esse lugar. Não precisava vir desse jeito. Deixa eu te ajudar chegar onde pretende”. Desnorteado tenta identificar a pessoa que o ajuda. “O que aconteceu comigo agora pouco?”. “O que aconteceu com você, é bem normal para quem está neste estado”, diz o estranho. Para Hermano, essa pessoa provavelmente deve ser Christian. “Você recebeu mais uma pista falsa. Eu não sou a pessoa que tem as respostas que tanto procuro. Apenas Ismael explicará o que te interessa. Eu apenas serei o caminho para chegar até ele”. Os dois se dirigem ao bar, onde serão passadas todas as informações necessárias...

(...) TRANSFERÊNCIA DE SINAL: EXPERIÊNCIA FRANK, DELEGACIA, VISUALIZAÇÃO EXTERNA: – Frank, você é o único cara limpo para entrar nos narcóticos. Todo mundo aqui já caiu em tentação nessa putaria de sistema. Não confio em ninguém, muito menos em mim mesmo. Sabe que é foda pra eu chefiar isso, quando to na mesma merda que todos esses viciados. - Cheira mais uma “carreirinha” de cocaína. - Não to podendo fazer nada. Além disso, tu é o cara que impõe respeito à base da porrada. Só desse jeito é que vamos deixar de ser pau mandado daqueles filhos da puta.
- É só isso que tem pra me falar? Sabe que essa merda dos narcóticos não vai me levar a lugar algum. Eu estou bem no setor de homicídios. Não quero mais sarna pra me coçar.
- Eu sei que tá mandando bem com isso. Inclusive vai ser foda arrumar um substituto. Mas a situação ficou tão preta, que tá acontecendo um monte de mortes bizarras. E tudo por causa dessas novas drogas que tão surgindo. Não temos mais moral pra impedir os traficantes. Todo mundo agora tá com o rabo preso.
- Você quer apenas um cara que tenha coragem pra tentar foder eles. Além de suicídio, é também uma puta perda de tempo. Só vou entrar nessa, pra resolver o caso do massacre no Café Miragem. Quero saber quem é o filho da puta por trás disso. Resolvo o caso e volto pros homicídios.
- Tá vendo. Não vai ser tão ruim assim.
- É um puta de um vespeiro que eu vou ter que mexer. Mas não pense que por trabalhar aqui vou livrar a cara de vocês.
- Sabe que o buraco é bem mais embaixo. Pega leve no início, senão todo mundo se fode, principalmente você. O teu trabalho por enquanto é apenas evitar que essa merda se espalhe mais ainda. É só tirar uns traficantes de circulação e dar um sustinho nesses viciados de rua.
- E quando começo?
- Tem que ser agora mesmo. Não dá pra adiar mais. Seguinte... Vai pro centro, que daqui a pouco começar uma festa rave. Lá é que são distribuídas as melhores drogas da cidade. Vá e apreenda todo o bagulho que conseguir.
- Não tem noção da merda que vai dar? Tô sem equipe preparada pra isso. Inclusive não quero ninguém ferido nessa primeira operação. Preciso é de todo um esquema tático pra assegurar toda essa situação.
- Não esquenta com isso. Lá só tem peixe pequeno. É só uma festa de playboy. E essa gente se caga toda quando aparece alguém armado. Quanto a sua equipe, é só aguardar que em breve será montada. Mandamos trazer da capital, uma das melhores especialistas sobre narcóticos. Ela já teve na federal e é bem gostosa por sinal. Da pra dar uma "carcada" legal.
- Porra! Todo mundo morrendo e você com putaria. Fica focado que eu não vou nessa porra sem ter no mínimo umas cinco viaturas. Se for pra meter moral, vamos fazer isso direito.
- Cara só duas pra ti. Não da pra botar quase todo mundo assim de cara. Já te falei que a maioria aqui tem rabo preso.
- Aqui só tem corrupto e viciado mesmo. Devia vomitar de tanto nojo.
Frank toma rumo ao centro da cidade. Anoitece e as ruas começam a ficar vazias. A sensação de segurança vai sumindo para os cidadãos que ainda não chegaram em casa. Aos poucos os personagens macabros começam a dominar as ruas, cada um disputando por um espaço onde exista um pouco de iluminação. As viaturas param em frente a um terreno baldio com tendas iluminadas por luzes neon. O ambiente da festa não aparenta ser hostil, principalmente quando os viciados ficam fora de órbita após algumas doses de ácido. Repentinamente Frank tem uma sensação de ter vivenciado este momento. Mesmo sem usar nenhum tipo de droga Frank sente que está em um estado de transe, como se estivesse tendo uma alucinação compartilhada. Porém um detalhe que não foi percebido por Frank. Tudo se transforma naquele lugar. Objetos começam a se distorcer, enquanto as pessoas andam pelo enorme chão quadriculado, como estivessem pisando na lua. O detetive começa a delirar e sentir-se em um pesadelo de onde não consegue mais sair. Sua escolta parece ter sumido na névoa colorida. Fecha os olhos com força e esfrega as mãos, na tentativa de acordar dessa loucura. Quando abre os olhos, percebe que está em volta de um monte de cadáveres. O desespero toma conta de Frank. Sem ter nenhuma reação motora, procura racionalizar sobre o que está acontecendo. Não consegue uma resposta plausível para sua alucinação, quando sabe que ele é o único a não ingerir qualquer tipo de bebida ou droga. Fecha os olhos novamente e sente-se desprender do seu corpo, como pudesse enxergar si mesmo a distancia. Quando se vê fora do corpo, percebe que está agindo com extrema violência contra os jovens da festa. Não só bate em todos que cruzarem o seu caminho, como também espanca os que tentam revidar. Sem acreditar no que está acontecendo, tenta voltar para o corpo. No entanto existe uma força maior que ele impedindo seu retorno. É como se um demônio ou alguma entidade maléfica controlasse seu corpo. Uma cólera de fúria cegou sua razão e aos poucos vai perdendo a força até desmaiar...

(...) DESVIO DE SINAL: EXPERIÊNCIA DOUGLAS, CAFÉ MIRAGEM, VISUALIZAÇÃO EXTERNA: Douglas não sabe que é observado. Apenas segue em frente, indo de encontro com Christian, que pediu para esperar na mesa 07 do Café Miragem. Senta-se lentamente, olhando por todos os cantos procurando Christian. Sem querer se distrai com o movimento das moscas voando constantemente ao redor da lâmpada. Compara sua vida com aquelas moscas, sentindo com um pouco mais de sorte em poder conseguir fugir um pouco do padrão. Christian sai de uma porta que parece ser um banheiro, entretanto a luz vermelha de dentro indica ser outro ambiente. Senta-se na mesa e cumprimenta Douglas.
- Cansado da repetição? - Pergunta Christian sendo bastante sarcástico - Descobriu então que tudo isso é bastante previsível. São apenas poucos os que exercem o livre arbítrio.
- Mas porque nada muda e os dias são sempre iguais para mim? - Douglas ansioso pelas respostas, que há tanto tempo vem tentado descobrir.
- É cedo demais para você descobrir. Está pagando por sua imprudência, por tomar sempre o atalho para o caminho errado.
- Não tenho como evitar. Sou forçado por uma vontade maior. Faz com que eu acabe pegando o caminho que sempre me leva ao mesmo lugar.
- A vida pode ser mesmo um eterno deja-vú. - Suspira na maior tranqüilidade - Saiba que é uma raridade me encontrarem. Então faça maior proveito deste privilégio.
- Eu tinha uma vida normal antes destes dias que se repetem. Não havia esta estagnação em minha vida. Tudo acontecia de maneira diferente. Agora fui condenado ficar preso no pior dia da minha vida. Se eu não fizer nada de diferente, o resto do dia será tudo igual.
- Você é apenas apegado a lembranças desagradáveis, tem um sério trauma e não faz nada a respeito. Eu só posso lhe indicar um lugar especial, onde não há linha cronológica a ser seguida. É um espaço atemporal. Sei que negaste esse desconhecido diversas vezes, mas lá é o seu único refúgio.
- Eu tenho medo do que está para acontecer, ou repetir novamente. Sei que haverá uma discussão neste café, inclusive o dono deste lugar, se irritará com as pessoas da mesa dos intelectuais, matando-os por pura insanidade.
- Isto é apenas um ponto de vista isolado, tente ver tudo isso numa só conexão. Essa cidade vive do narcotráfico, não há como lutar contra isso. Como tudo é aqui é um caso perdido, sobrevivemos graças aos viciados desta cidade, que por sua vez não duram muito tempo, sendo substituídos por outros viciados. E assim o ciclo continua.
- Por isso tenho medo de perder um pouco do que resta da minha lucidez no meio de tanta gente louca. Sinto isso neste momento. E cada vez que volto a este lugar, fico mais preso a essas sensações. E tudo que eu fizer não vai mudar em nada as regras do jogo. Sei que Ismael está lá fora, segurando na memória todos os meus atos. Tenho medo do que ele está planejando agora, Não confio nele e nunca confiarei. Posso ter um pouco de sorte em conseguir mudar meu rumo pelo menos uma vez. Mas acho que nada vai mudar e talvez tenha que me acostumar com isso. Por tanto estou cada vez mais descrente em relação ao livre arbítrio.
- Está enganado quanto a isso, ele te deu liberdade de escolha, você sempre a descartou. Darei a você a chave para o quarto vermelho, são poucos que tem esse acesso neste café.
- Gostaria voltar a sentir o que é liberdade. Ismael tomou-a de mim, agora quero de volta.
- Ismael não volta atrás, tenha certeza disso rapaz. Inclusive eu estou pagando pelos meus erros. Não há mais volta para ninguém.
Douglas se aproxima da porta do quarto vermelho, coloca a chave na fechadura e lentamente entra no local. Uma forte luz avermelhada quase o cega, mas aos poucos vai se acostumando com a iluminação do ambiente. Avista várias camas, todas encostadas em fileiras, nas duas paredes. O corredor da impressão de ser interminável. Quanto mais percorre esse caminho, sente-se preso a um lugar parecido com um hospital, com uma enorme ala de pacientes em coma. Em cada cama está um paciente sendo observado por três vultos vermelhos, observando as reações neurológicas de cada paciente, através de uma maquina estranha. Cada máquina mostra um mapa do cérebro de cada um, seguido de um gráfico complexo. Os vultos movem com se multiplicassem em várias partes do espaço, apenas voltam a serem únicos, quando o deslocamento é terminado. Mais adiante temos outros pacientes recebendo outro tipo de tratamento, alguns recebem diversos tipos de drogas, para explorarem os diversos tipos de reações químicas no cérebro. Inclusive existem pequenos buracos embaixo da cama, para deixar cair toda a toxina acumulada pelo corpo. Gradativamente Douglas começa perceber que todos os pacientes não são meros enfermos e sim várias cobaias em observação. Assustado volta correndo pelo longo corredor, que desta vez não possui mais fim. Tenta chegar mais perto do espaço vazio onde há total escuridão. Escuta ecos de vozes de pensamentos perdidos no espaço, vagando rumo ao nada. Uma força o puxa para aquela escuridão, que parece um portal místico, levando para uma nova dimensão ainda não vivenciada. Começa esquecer um pouco sua ansiedade, começando a reformular sua personalidade, transformando a mente em energia, que será refletida em um mundo material. Essa energia vai se dissipando e sendo absorvida na mente de outras pessoas. Com medo de desaparecer no vácuo, tenta encontrar em meio a tantos ecos mentais, um pensamento seu perdido. Com o pensamento achado, começa entrar em sintonia com sua mente presa no mundo físico, voltando novamente para o seu velho corpo. Enquanto a fusão é feita, o espaço começa a ganhar formas geométricas, um tanto inconsistentes e esfumaçadas no início. As cores vão aparecendo dentro das formas que se tornam líquidas. O corpo volta a normalizar enquanto se materializa naquele cenário e tudo vai entrando de volta na percepção de sua velha vida rotineira.

(...) NOVO TIPO DE SINAL: EXPERIÊNCIA ISMAEL, LOCALIZADO NA MENTE DA EXPERIÊNCIA GIULIA, VISUALIZAÇÃO INTERNA: Adoro sentar-me em uma praça, para iniciar minha meditação diária. Dizem que o hábito faz o monge. Prefiro acreditar que o hábito aliena o monge. São verdades que deveriam assombrar minha mente, porém tudo isso não faz a menor diferença para mim. Trabalho para um ser oculto e só obedeço aos seus comandos no meu cérebro. Então você pergunta para mim se eu o conheço? Talvez mais que deveria. Por favor, não se levante. Fique relaxada como sempre. Somente assim os efeitos do LD50 serão transcendentais. Não faça nada por enquanto, simplesmente imagine parando o mundo por um instante.
Eu sei que você é uma garota indefesa e assustada. Leio claramente sua mente. Tem medo de atravessar a floresta escura e encontrar seus próprios demônios. Vou lhe ajudar nessa sua jornada pessoal, mas não irei interferir em seu livre arbítrio. Apenas nos comunicaremos por telepatia. Em breve irá desenvolver esses dons, na medida em que vai superando seus medos e traumas. Enfrente-os e conseguirá se livrar gradativamente de todo o mal. Você está no caminho certo da interligação coletiva. É só acompanhar o meu pensamento, sem precisar entender o que realmente está passando com você. Para saber não precisa compreender, mas apenas sentir e vivenciar esses ensinamentos. Pois será com a sabedoria que usa os seus sentimentos, que abrirá o portal para escapar desta realidade bizarra. Por enquanto não se preocupe com nada apenas e continue concentrando-se na minha voz.
Entendo que continua negar minha existência. Porém não sou uma alucinação, ou uma voz em sua mente. Eu existo e sou o seu amigo Ismael. O mendigo de sonhos e pesadelos. Não apenas um amigo imaginário como tantos outros, mas alguém especial que ajudará encontrar sua companhia nessa travessia pelo inferno. Quanto mais você se entregar, irá despertar novas fronteiras de sua consciência. Poderá conseguir entrar em sintonia com as diferentes freqüências de pensamento existentes do nosso narco espaço. Para isso você precisa de um guia, alguém que saiba as potencialidades desta droga, mesmo que seja uma pessoa tão desprezível como eu. O desconhecido lhe parece estranho e pavoroso, porém você já vivenciou isso e vivenciará várias vezes até se desprender dessa ilusão. Por isso irei te ajudar a controlar seu medo. Pois se não possuir serenidade, o LD50 controlará você.
Vá ao cinema municipal hoje, assista ao filme, preste atenção nas ações dos personagens, nas várias interpretações narrativas que lhe darão uma nova perspectiva da realidade. Lembre-se que não importa o sentido da narrativa, mas sim o sentimento de transcendência. Pois somente com a transcendência, tudo passa a ser desconstruído e reinterpretado como uma nova percepção da realidade. Mas não se perca com devaneios, ou distrações, pois assim você irá ficar presa nas armadilhas de sua mente. Aos poucos conseguirá desconstruir as imagens na tela, o som será desconexo, não restando nada além das palavras. Mesmo eu sendo cego, uso a força do pensamento, como uma chama na escuridão. Como não há nada que eu possa ver, as palavras vêm me localizar em um novo espaço montado na minha imaginação.
Depois da sessão encontre-me na saída de emergência. Entregarei novas pastilhas alucinógenas, contendo diferentes estágios de letargia em cada uma. Poderá sonhar acordada com o que quiser. Eu sei que sua vida parece um sonho maluco, mas com as pastilhas poderá controlar esse seu sonhar. E se puder leia o livro, “Manual para sobreviver ao apocalipse, ou como não enlouquecer com a realidade”. É um ótimo guia para entender nossa situação atual, inclusive ajuda a sobreviver a todos os colapsos que acontecem conosco. Sei que é difícil de ler qualquer coisa, quando está fora de si. Tente apenas olhar para o livro encarando-o. As palavras aparecerão como uma revelação divina e uma voz como a minha servirá de ajuda. Pois saiba que estamos no caminho de sair da escuridão, temos que nos prepararmos para não ficarmos cegos pela luz e não cair em mais um buraco novamente. Confie no que digo, não terás nada do que teme, apenas o que desejares. Por esta grande ajuda apenas te peço suas lembranças emotivas mais lúcidas (boas ou ruins), para que possamos desfrutar de toda a fantasia na sua nova vida. Esqueça todos os riscos, pois não há perigo no nosso novo mundo. Tenho todas as chaves para qualquer lugar surreal da cidade. Apenas tem que se encontrar com Christian, ele te mostrará todos os caminhos e pessoas interessantes para total descontração espiritual.
Ótimo, sabia que aceitaria essa proposta. Vamos nos encontrar quando houver a escuridão total deste dia. E mais uma dica: procure não olhar para baixo, seu medo irá continuar. Tente olhar mais para céu, onde existe alguém controlando tudo, fazendo desfazendo tudo o que consideramos por real. Somente de acordo com a verdade superior e inalcançável em todas as dimensões da existência universal.

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