domingo, 1 de abril de 2007

CAPÍTULO 4: BURACOS

CAPÍTULO 4: BURACOS


(...) SINAL RECONECTADO: EXPERIÊNCIA DOUGLAS, VISUALIZAÇÃO INTERNA: Quando era criança, gostava de brincar no bosque perto de casa. Não era um bosque qualquer e sim um lugar especial. Parecia um labirinto com inúmeros caminhos que se bifurcam em um determinado momento da caminhada. Sempre existia a possibilidade de poder criar o próprio trajeto. Podia avançar ou retroceder no caminho, como uma maneira de experimentar algo diferente em cada jornada. Eu considerava este bosque um lugar calmo e agradável, o mais próximo que pude chegar de um paraíso. Nestas caminhadas pelo bosque, comecei apreciar todas as formas de vida. Expandi minha consciência naquele espaço pacificador e transcendental. O bosque era o meu meio de me desconectar com o mundo ordinário, para descobrir o meu universo interior. Ás vezes esquecia quem eu era só para poder ser todos os heróis imaginários de um mundo em perfeito equilíbrio. Lembrava-me do circo, com todos aqueles palhaços brincando de ser feliz em um mundo sem regras, onde tudo era possível dentro do picadeiro, assim como aquele bosque que também tinha seu lado mágico.

Tudo mudou quando surgiu um enorme buraco perto da área de preservação. Ninguém conseguia me explicar o motivo de um buraco ter surgido de repente. Depois de um tempo interditaram o espaço “por motivo de força maior”. Eu acreditava que não se tratava de um buraco qualquer. Poderia ser mágico e misterioso como o da Alice. Era proibido cruzar a cerca de segurança, o que não me impedia de entrar no lugar todos os dias para me divertir sozinho. Todo aquele bosque não interessava mais ninguém. Continuou sendo o meu espaço livre para brincar e também esquecer meus problemas. Fui aos poucos ficando familiarizado com o lugar vazio, não havia o que temer. Imaginava que o buraco poderia ser uma cratera, igual aquela que exterminou os dinossauros, ou talvez um atalho para a china. A curiosidade era tanta que fui investigar o que era aquele buraco. Por distração acabei tropeçando e cai dentro daquele profundo vazio. Não lembro o que aconteceu depois disso.

Sei que acordei muito tempo depois, na cama de um hospital, com o corpo bastante arranhado, sem ter algum osso quebrado. Não sei como eu consegui sair de dentro daquele lugar. Só sei que após aquele acidente, comecei ver a realidade de maneira diferente. Perdi minha curiosidade em tentar descobrir os mistérios que existe no mundo. Inclusive não tive mais vontade de visitar o bosque. Não por medo, só que não via mais graça lugar. Todos os sentimentos que ligavam aquele lugar foram cortados. Por fim tornei-me um adulto frustrado e infeliz. Troquei o prazer de uma descoberta arriscada, para a comodidade de uma vida rotineira.


Já não faz muito tempo que eu consegui voltar ao bosque. Queria lembrar os melhores momentos que passei na minha infância. Agora o lugar está bem cuidado por seguranças. Só que havia algo de estranho. O buraco na qual caí não estava no mesmo lugar. Perguntei ao vigia do local, se havia tapado aquele buraco para cavar outro igual. O vigia começou rir de mim, dizendo que nada mudou de lugar naquele bosque, sempre esteve no mesmo ponto. Teria eu mudado minhas percepções de espaço, ou alguém está me enganando? Perguntei se ele conhecia a história de um garoto que caiu no buraco. Ironicamente ele disse que a história é tão popular, que virara lenda urbana. Existiam várias versões para o meu acidente. Uma delas era que eu havia sumido. Em outra versão eu transportei misteriosamente para outro lugar. Tem também uma versão que eu fui trocado por um sósia. Sem contar que existem os céticos, na qual acreditam que eu esteja morto. Jamais imaginaria que eu tornaria uma lenda. Fiquei fascinado por toda aquela especulação em torno daquele buraco. Parecia que havia entrado em um portal para uma nova dimensão.

Resolvi pular novamente para ver o que aconteceria comigo. Quando pulo, não consigo sentir meu corpo. Perco todos os sentidos e fico inconsciente. Acordo no meu quarto como se eu despertasse de um sonho. Voltei mais uma vez para minha vida medíocre e sem graça. Todas minhas ações são automáticas, fazendo com que eu me sinta cada vez mais como um robô. Quero encontrar uma maneira de escapar dessa realidade opressiva. Preciso encontrar um novo buraco...

(...) DESVIO DE SINAL: EXPERIÊNCIA FRANK, BECO, VISUALIZAÇÃO INTERNA: Eu matei Trent Wayman. Sim o bastardo está morto... Acho que tudo está acabado. Ainda faltam muitos detalhes para serem esclarecidos. Porém finalmente consigo sair desta fossa. O cadáver desse filho da puta merece ficar atolado bem nesse buraco.

A chuva leva embora minhas angustias e aflições. Fico parado no meio desse beco vazio, com a sensação de que algo está faltando. O cadáver disforme de Trent começa sumir na poça de lama, que pouco a pouco preenche o vazio do buraco formado por ele.

Fecho os olhos e procuro lembrar como matei o homem que venho procurando feito a minha sombra. Sei que tudo começou com uma pequena colagem de casos e histórias intrigantes, pois se eu mexesse em alguns detalhes, tudo continuaria fazendo parte do mesmo conjunto. Foi o que realmente aconteceu. Trent Wayman poderia ser um mero vilão dentro desta história. Ele era mais que isso. Foi à pessoa que mais sabia sobre tudo o que se passa por aqui. As pistas que encontrei não foram nada acidentais. Tudo foi premeditado dentro de um enorme esquema, em que ele sempre estava muitos passos a frente que qualquer um. Só que no final eu saí ganhando neste jogo. Ou seria mais um truque do Wayman para me derrubar? Talvez ele tenha se sacrificado na intenção de destruir o que ainda resta de lucidez em mim. Pode ser que dessa vez eu consegui agir como deveria. Ainda sinto que existe algo de errado. Lembro como espanquei o mendigo (Ismael), para conseguir informações do paradeiro de Trent. Mas ele poderia ter me despistado a mando do patrão. Acho que posso estar no lugar certo e na hora certa. Por pouco que Trent não conseguiu matar Giulia. Quando o vi comecei atirar cegamente. Por fim ele acabou caindo da janela do prédio da garota. Com o impacto da queda, formou um enorme buraco no chão desse beco imundo.

Abro os olhos novamente e vejo a silhueta do Senhor Ninguém na minha frente. Estou começando achar que ele é mais real do que qualquer coisa por aqui. Ele me entrega uma carta em um envelope pardo, contendo uma mensagem escrita por letrinhas recortadas de jornais e revistas. “Não há fim em sua caçada. Com a morte do corpo de Trent não significa que ele deixe de existir. Agora precisa transcender os limites de sua mente para descobrir uma nova forma de sair desse circulo vicioso. A busca pela origem do LD50 o levará a compreensão dos fatos, dando-lhe a lucidez necessária para recomeçar o caso”. Ainda fico confuso com o conteúdo da carta. Tento perguntar algo para o Senhor Ninguém, mas ele acaba sumindo junto com o cadáver de Trent. Será que estou sonhando? Se isto é um sonho, então porque eu não acordo? Preciso mudar essa situação. Quem sabe Christian seja a pessoa certa para ajudar a decifrar o mistério sobre o LD50. Preciso criar uma nova personalidade para sobreviver nesta nova etapa. Ainda posso manter meu nome, Frank Christchurch como parte imutável de minha identidade. Agora Christian será minha nova caça desse jogo. Espero que ele me leve para o caminho certo...

(...) INTERFERÊNCIA NO SINAL: EXPERIÊNCIAS HERMANO E ISMAEL, ESGOTO, VISUALIZAÇÃO EXTERNA: - Finalmente encontro com o grande terrorista, ou melhor, o sabotador de sistemas Hermano Jonas. - Fala o mendigo com total admiração.

- Quais são suas intenções para me arrastar até esse bueiro imundo? - Hermano olha para as paredes e o chão da central de saneamento da cidade, com completo nojo do local escolhido para aquela negociação. – Não tem lugar melhor pra gente ficar?

- Creio que aqui embaixo temos acesso imediato a qualquer canto da cidade. Estamos no melhor atalho possível.

- Pra mim é só um esgoto, com fezes e urina de todos os habitantes. Pode até ser um lugar isolado de todos os perigos de cima, mas é literalmente uma bosta ter que me submeter a isso.

- Não subestime esse lugar só pelo cheiro. Veja que aqui também encontram cabos de eletricidade e linhas telefônicas. Todo o centro de controle é aqui em baixo. E o mais importante são os túneis que ligam a todos os cantos deste sistema obscuro.

- Então é aqui que acontece o funcionamento de tudo? Sempre quis entender como funciona.

- Estamos precisamente no setor de manutenção sanitária, o centro de tudo. Os túneis estão ligados de uma forma completamente não convencional, dificultando qualquer tipo de sabotagem. Tudo aqui foi planejado de maneira bastante funcional.

- Não compreendo o que isso significa.

- Primeiro que neste lugar nada é o que parece ser. Liberte-se de conceitos empíricos, ou cognoscíveis. Pois tanto lá em cima como aqui em baixo, estes conhecimentos não servirão para nada.

- Ainda não estou entendendo o que você quer dizer. O que faz a funcionalidade deste buraco ter alguma relação para o que você quer me apresentar?

- É aqui em baixo onde são fabricadas as principais drogas vendidas na cidade. Inclusive o LD50. Hoje tudo está em torno do LD50. Estamos no único lugar que a polícia não teve coragem de procurar.

- Tudo o que eu vejo na cidade, são as pessoas se destruindo por causa do LD50. Sei que você também está envolvido nesta conspiração messiânica. Finge ser um profeta que conhece o caminho da libertação, quando você é mais maluco que qualquer pessoa envolvida.

- Por favor, Hermano não se faça de moralista ingênuo. Saiba muito bem que você também é uma das pessoas ligada ao LD50. Estamos conectados pela mesma droga.

- Não tente me iludir com suas alucinações... – Uma lembrança aparece de repente na mente de Hermano mostrando como executor de uma explosão no centro da cidade. – Isso não é verdade, tinha fatores políticos e disputa de poder por trás disso tudo... – Outra lembrança reaparece, com ele gargalhando por conseguir gerar o caos na cidade. – Você está me manipulando, seu louco! – Por fim visualiza sendo atingido pela explosão.

- Toda essa conspiração que você criou na cabeça o trouxe aqui. Da mesma maneira que fez uma aliança com Trent Wayman para conseguir destruir a fronteira da cidade.

- Quem inventou essa droga? Porque estamos perdidos no tempo e no espaço com essas alucinações do LD50?

- Acredito que o LD50 já existia antes de todos nós chegarmos aqui. Talvez a única pessoa que obteve o maior domínio das alucinações do LD50, foi Trent Wayman. No momento que ele conseguiu transcender os efeitos da droga, ele acabou virando uma figura onipotente neste jogo. Ele consegue manipular a vida de quem a usa. Isso talvez nos ajuda a evoluir nossa consciência, mas ao mesmo tempo acabamos enlouquecendo com essa realidade.

- Sempre soube que Trent Wayman, é quem possui o controle do funcionamento dessa cidade. Porém desconheço sua influencia para interferir nas nossas decisões. Não consigo ver ele como nosso títere.

- Saiba que somos induzidos por ele a fazermos aquilo que não planejamos. Trent apenas quer reorganizar o sistema a sua maneira e ajudar o próximo atingir a evolução que ele obteve com a droga.

- Mas quais são os seus verdadeiros objetivos com o LD50?

- Transcender essa realidade e conseguir a mesma iluminação que Trent obteve. Ele está tentando nos fazer entender que devemos interpretar esses elementos de maneira alegórica ou simbólica, para entrarmos em um mundo, que a medida normal do tempo não existe. Um mundo em que os relógios estão quebrados ou liquefeitos como num quadro de Dali. Por isso que venho buscando em cada um, uma maneira para encontrar a saída desse labirinto. Tento reformular o efeito alucinógeno do LD50, descobrindo novos sentidos percepções. Do mesmo modo que Trent Wayman desenvolveu toda uma alquimia revolucionária para se libertar do efeito original do LD50.

- Então o efeito da droga nunca é o mesmo?

- Não, a droga está em constante evolução, juntamente com o desenvolvimento da nossa percepção. É isso que a faz ser tão especial e ao mesmo tempo perigosa.

- Agora quero saber o quer comigo neste exato momento?- Hermano começa entrar no jogo de Ismael para conseguir subsídios para detonar a fronteira da cidade. – Sei que também quer o fim dessa fronteira, que serve de obstáculos para todos nós.

- Sim, exatamente chagaste aonde eu queria. Agora te mostro que somente entrando pelos caminhos subterrâneos, é que você conseguirá atingir seus objetivos. Mas atenção. Tenha seu propósito bem claro na sua mente. Pois o caminho te levará a perdição, colocando você novamente ao ponto inicial. Saiba que não haverá fim nessa missão, pois sua mente poderá te enganar do que realmente quer. E tome cuidado com seus pensamentos destrutivos, pois um simples colapso, poderá colocar em risco as vidas de todos os usuários do LD50. Eu elaborei um guia que poderá ser útil em sua jornada. Talvez com esse livreto você vá entender melhor o que estou querendo lhe dizer. – Ismael entrega o “Manual para sobreviver ao apocalipse” a Hermano Jonas.

- Parece um daqueles livros idiotas de autoajuda. – Hermano da uma folheada no “manual”. – Parece então que estamos todos conectados. Interessante essas técnicas de meditação. “Desenvolvendo habilidades de manipulação do tempo”, “Modificando a realidade” – Fecha o livreto e volta a encarar Ismael. - Bem, deixa pra lá. O que eu quero agora é conseguir uma nova saída.

- Não há uma saída, apenas uma ligação com outro lugar e tempo...

- Está bem. - Hermano já não começa levar tudo o que o mendigo propõe muito a sério. - Tentarei fazer o melhor possível.

- É o que veremos. - Ismael faz um sinal de desprezo, quando sabe algo ruim está para acontecer com Hermano.

(...) OUTRA INTERFERÊNCIA NO SINAL: EXPERIÊNCIAS CHRISTIAN E GIULIA, QUARTO, VISUALIZAÇÃO EXTERNA: Em um quarto de um apartamento sujo, estão encostados em paredes opostas, os jovens Christian e Giulia. Christian está pálido, com o corpo no limite da resistência física, tendo espasmos após terríveis alucinações. Enquanto Giulia está com a vagina dilatada, por abortar um feto disforme. Os dois aos poucos vão recuperando a lucidez e a percepção de seus corpos deformados. Giulia começa murmurar frases incompreensíveis, buscando algum contato com Christian.

- A tempestade já passou... A dor... Continua. Afinal o que estou fazendo aqui?

Christian começa perceber que existe mais alguém no quarto. Aos poucos nota que a garota está gemendo de dor. Porém ele nada pode fazer, por estar debilitado da mesma maneira que ela.

- Também não sei como vim parar aqui. - Olha para parede onde Giulia está encostada, encontrando uma marca de sangue escrito “LD50”. Lembra vagamente de alguns detalhes sobre o tráfico e as conspirações organizadas por Trent Wayman e o mendigo Ismael. – Acho que todo meu conhecimento e toda minha influência não serviram para nada... Não cheguei a lugar algum com isso... Aliás, só cheguei até essa fossa.

Giulia olha para baixo, percebe um cordão umbilical para fora da sua vagina, que está ligado a um feto deformado. Horrorizada grita apavorada, sem conseguir nenhuma reação em Christian.

- O que é essa coisa, que saiu de mim? - Olhando para Christian, como se ele fosse responsável por tudo o que aconteceu. – O que você fez comigo?

- Não sou culpado por essa situação. Não te conheço e muito menos faço ideia de como viemos parar por aqui.

- Ainda tem muito sangue na minha mão. Só que não consigo sentir dor alguma. – Giulia começa ficar mais lúcida e percebe que o feto abortado não passa de uma alucinação.

- Conhece alguma coisa sobre o LD50? – Procura descobrir se a garota tinha alguma ligação com tal situação.

- Sei apenas o necessário... O LD50 é um alucinógeno muito poderoso... Acho que não consigo me lembrar de quase nada.

- Acredito que existe alguém nos observando desde o início... Uma pessoa onipresente... É bem provável que somos cobaias de um jogo psicológico, ou algo parecido.

- Acho que também acredito nessa ideia. Só não acho que isto seja algum tipo de brincadeira. Estamos envolvidos talvez por vontade própria, ou forçados por alguém sem escrúpulos.

- Sei que existe uma forte conspiração envolvendo essa droga e quem as controla. De alguma forma sei que gostam de testar pessoas como cobaias, recrutando talvez para um propósito especial...

- Sempre estive sozinha, você é a primeira pessoa que está me dando atenção. - Giulia começa demonstrar afeto ao rapaz, que parece ter uma maior sintonia com Christian do que os demais que passaram por sua vida.

- Você sempre foi especial de alguma maneira... Acho que até agora ninguém conseguiu falar o quanto você é importante. – Christian sente uma empatia com a garota, percebendo que esse encontro não seja nada casual e que alguém estaria por trás disto tudo.

- Parece que estou sentindo o seu pensamento, estamos ligados de uma forma muito estranha. Por que você não chega mais perto?

- Não posso o meu corpo está paralisado feito uma pedra. Você ainda não consegue entender que somos apenas personagens de uma elaborada encenação? Estamos atados a cordas invisíveis, que nos movimentam feitos marionetes. O que nos restam, são os nossos sentimentos, e é isso que nos torna mais verossímeis aos outros olhos.

- Então este palco é uma prisão! Temos que nos conformar a tragédia de nossas vidas. Estamos rumando para o fim da linha, mesmo que fiquemos presos a este limbo, temos que arrumar um jeito de não perdemos o que nos resta de lucidez.

Uma voz fala para os dois relaxarem. Pois não há nada com o que se preocuparem com o momento presente. Então os dois fecham os olhos, adormecendo como crianças cansadas, entrando em um estado de total relaxamento e descontração. Na medida em que relaxam, seus corpos começam a flutuar por todo aquele lugar fechado. Sentem uma nova percepção do tempo, estendendo suas sensações para além de suas percepções sexuais. Suas mentes estão em outra dimensão da consciência, onde sempre estiveram eternamente conectados. Christian sente que o observador está voltando às atenções para ele, possibilitando uma nova percepção ampla da realidade.

- O observador sabe muito bem o que estamos pensando e sentindo. - Christian tentar alertar Giulia da perda de liberdade, porém ela nada se importa com o que está acontecendo. Ele anseia fugir de todos que o perseguem, ou que veem nele uma resposta. Entretanto ainda está ligado fortemente naquele espaço com Giulia, impossibilitando uma expansão desta experiência fora do corpo. – Parece que este observador está narrando os nossos atos, antevendo sincronicamente cada expressão ou sentimento demonstrado aqui. Ficando invisível aos nossos olhos, como um deus isolado em sua perfeição.

Finalmente Christian estabelece uma comunicação com interlocutor, o ser supremo que dita todas as regras daquela realidade alucinante. Os dois começam sentir essa presença externa, sendo aos poucos preenchida no formato de uma luz azul. Com medo, dão a mão um ao outro. Esperam pelo contato... Uma possível resposta, ou talvez uma nova paz para eles. Giulia pergunta o que acontecerá com eles. A voz responde que nada foi definido ainda e que apenas os personagens do jogo já foram colocados em ordem. Nenhum dos dois compreende, no entanto seguem adiante com a pergunta que tanto querem entender. Qual será a razão dos dois estarem tão ligados em perfeita harmonia? Em resposta vem o seguinte significado, “anima e animus”, os dois são como arquétipos complementares que fazem parte do inconsciente coletivo. Logo os dois olham um ao outro, percebendo serem como almas gêmeas, destinadas a perderem e reencontrarem dentro daquela realidade. Christian ainda insiste em saber por que usam pessoas como cobaias para interagirem neste jogo complexo. Em resposta veio algo bastante vago: “O sentido da condição humana, sem ater a explicações meramente convencionais”.

- O que será de nós agora Christian? – Giulia começa sentir impotente com medo do que poderá acontecer. – O tempo ainda é incerto para nós.

- Acho que agora nada podemos fazer. Temos que esperar por outra pessoa descobrir um novo caminho, para que possamos prosseguir com nossas vidas. - Os dois separam-se no meio daquela forte luz azul, esperando um próximo reencontro. O casal agora separado terá que encontrar os outros personagens que estão vivenciando a mesma situação. Cada um terá de se complementar no próximo, até evoluírem para outro estágio da consciência transcendental.

Um comentário:

Emanuela Franco disse...

Olá Thiago,

Tudo bom?

E haja texto, hein?!

Olha só, coloca um link aí do meu blog no teu blog, tá?! O teu já está no meu.

Eu ainda não consegui ler tudo, mas prometo que irei ler.

http://emanuelafranco.blogspot.com

Beijos!